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Introdução - Itens IX ao XVII Leia no Kardecpedia
Prolegômenos Leia no Kardecpedia
Dicas de leitura
As Mesas Girantes e o Espiritismo
Zêus Wantuil
editora FEB
As pancadas e ruídos misteriosos registrados, na primeira metade do século XIX, na casa da família Fox, em Hydesville, Estados Unidos, resultaram, a partir de 1850, no fenômeno das mesas que flutuavam e respondiam perguntas – as mesas girantes –, o qual atravessaria o Atlântico para logo ganhar a Europa. Entre divertimentos vazios e o desdém dos céticos, as tais mesas, descobriu-se, envolviam em verdade questões de profundo interesse a toda a Humanidade. Fruto de árdua pesquisa, este trabalho apresenta, a partir de relatos de jornais, textos e publicações da época, uma síntese histórica dos primórdios do Espiritismo, quando acontecimentos marcantes antecederam o surgimento, em abril de 1857, de O livro dos espíritos, obra que inaugura a Doutrina Espírita: a repercussão das mesas na imprensa; as divergências entre cientistas; as opiniões precipitadas; as conclusões grandiosas; o convencimento de intelectuais célebres; as acusações e os deboches; a chegada ao Brasil; os primeiros contatos de Denizard Rivail com o distinto fenômeno; e sua gradual transformação, enfim, no vulto respeitável de Allan Kardec.
Allan Kardec: o educador e o codificador
Francisco Thiesen, Zêus Wantuil
editora FEB
Allan Kardec – o educador é a sua mais completa biobibliografia. De elaboração minuciosa, resultado de árdua pesquisa, fornece uma visão da personalidade intelectual e moral e ainda daobra como educador emérito. Enfoca temas como nascimento, formação escolar, influência de Pestalozzi, o apoio de madame Rivail, formação profissional, fertilidade pedagógica, diplomas e recompensas e tantos outros.
Para Entender Allan Kardec
Dora Incontri
Editora Lachatre
Esta obra traz a abordagem cultural, pedagógica e histórica da doutrina espírita feita pela autora, sem dúvida, traz novas e importantes reflexões sobre o papel que o espiritismo poderá representar no terceiro milênio.
Gravação do encontro no Youtube
https://www.youtube.com/live/a5do3ftkqXI
Dicas de filmes sobre o Kardec e o espiritismo
- Em busca de Kardec (2021)
- Le Bal des Folles (2021)
- Kardec: A História por Trás do Nome (2018)
- E a vida continua (2012)
- O filme dos espíritos (2011)
- As mães de Chico Xavier (2011)
- Chico Xavier (2010)
- Nosso lar (2010)
- Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito (2008)
- Cafundó (2005)
- Joelma 23º Andar (1980)
Resumo - Princípio vital, alma, espírito
progressividade dos fenômenos que levaram ao espiritismo:
- mesas girantes,
- objetos com movimentos bruscos e irregulares,
- impossibilidade de controle do fenômeno,
- movimento com intervenção de uma causa inteligente,
- mesas falando por código de batidas,
- autodeclaração como espírito,
- indicação de outro meio de comunicação,
- uso da cesta e da prancheta para o fenômeno escrever,
- simultaneidade de conselho em lugares diferentes e quase incomunicáveis,
- psicografia sem objetos de apoio (abertura para outras expressões da mediunidade)
Segurança nas descobertas
- impossibilidade de controle
- progressividade
- impossibilidade de forjar resultados
- mudança de caligrafia
- Expressão autêntica e autoral
- Não aleatoriedade
- Conexão entre as comunicações
- Profundidade moral da mensagem
- Incompatibilidade entre a mensagem e o médium
- Manifestação de pessoas conhecidas e já mortas
VI - Principais pontos
- Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.
- Universo criado por Deus
- Existência do mundo corpóreo e do invisível
- Natureza espiritual de todos nós em um mundo que preexiste e sobrevive a tudo
- O mundo corporal é secundário
- Encarnação como experiência do espírito
- Superioridade moral e intelectual do ser huano superioridade as outras espécies na Terra
- Encarnação: o corpo animado pelo princípio vital, ser imaterial encarnado no corpo, laço que prende a alma ao corpo (perispírito)
- Ser humanos com duas naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais; pela alma, participa da natureza dos Espíritos
- perispírito é um envoltório semimaterial que acompanha o espírito
- Espírito como ser real e circunscrito que pode fazer-se perceber pelos outros
- Hierarquia espiritual que considera poder, inteligência, saber, e moralidade
- Progressão dos espíritos na hierarquia
- Reencarnção entre períodos de erraticidade
- Impossibilidade do espírito encarnar em um corpo animal
- Existências corpóreas do Espírito sempre progressivas, nunca regressivas, com ritmo ditado pelo arbítrio do espírito
- Perfeição como destino
- O espírito expressa suas qualidades através da alma.
- Conservação da individualidade do espírito após a morte do corpo
- O Espírito, alma liberta do corpo, retoma seu patrimônio de conhecimentos, lembranças e relações
- Forte influência da matéria sobre o espírito encarnado. Progresso constitui reduzir esta influência
- Pluralidade de mundos habitados no universo
- Espíritos errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita
- Comunicabilidade entre os planos material e espiritual, com possibilidade de interferência
- Influência tendenciosa, ocultas ou ostensivas, dos espíritos sobre os espíritos encarnados
- Médiuns são espíritos encarnados capazes de dar corpo às influências ostensivas dos desencarnados
- Manifestação dos espíritos pode ser espontânea ou por evocação
- Conexão dos espíritos se dá conforme a simpatia moral do meio que os evoca.
- Distingue-se a moralidade dos espíritos através da forma de expressão
- Moral elevada aproxima-se da moral do Cristo. É Regra áurea aplicada em todas as dimensões da vida
- egoísmo, orgulho, sensualidade: paixões que nos aproximam da natureza animal
- Não há faltas irremissíveis. Contamos com a reencarnação para o ajustamento rumo à perfeição
----- VII
Desde que a ciência sai da observação material dos fatos, e trata de os apreciar e explicar, o campo está aberto às conjeturas... Os fatos, eis o verdadeiro critério dos nossos juízos, o argumento sem réplica. Na ausência dos fatos, a dúvida é a opinião do homem sensato.
O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá
Dissemos que os Espíritos superiores somente às sessões sérias acorrem, sobretudo às em que reina perfeita comunhão de pensamentos e de sentimentos para o bem.
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Que respondem a essa evidência os antagonistas? Sois, dizem eles, vítimas do charlatanismo ou joguete de uma ilusão. A isso replicaremos, primeiramente, que a palavra charlatanismo não cabe onde não há lucro. Os charlatães não fazem grátis o seu ofício. Seria, quando muito, uma mistificação.
Dizem então que, se não há fraude, pode haver ilusão de ambos os lados. Em boa lógica, a qualidade das testemunhas é de alguma importância. Ora, é aqui o caso de perguntarmos se a doutrina espírita, que hoje conta milhões de adeptos, só os recruta entre os ignorantes?
----- X
A uma delas serve de base a linguagem de certos Espíritos, que não parece digna da elevação atribuída a seres sobrenaturais. Quem se reportar ao resumo da doutrina acima apresentado, verá que os próprios Espíritos nos ensinam não haver entre eles igualdade de conhecimentos nem de qualidades morais, e que não se deve tomar ao pé da letra tudo quanto dizem.
Às pessoas sensatas incumbe separar o bom do mau. Indubitavelmente, os que desse fato deduzem que só se comunicam conosco seres malfazejos, cuja única ocupação consista em nos mistificar, não conhecem as comunicações que se recebem nas reuniões onde só se manifestam Espíritos superiores; do contrário, assim não pensariam.
Julgar a questão dos Espíritos por esses fatos seria tão pouco lógico quanto julgar do caráter de um povo pelo que se diz e faz numa reunião de desatinados ou de gente de má nota, com os quais não entretêm relações as pessoas circunspetas nem as sensatas.
Acrescentaremos, tão somente, que, se assim fosse, forçoso seria convir em que o diabo é às vezes bastante criterioso e ponderado, sobretudo muito moral; ou, então, em que também há bons diabos.
----- XI
Esquisito é, acrescentam, que só se fale dos Espíritos de personagens conhecidas e perguntam por que são eles os únicos a se manifestarem. Há ainda aqui um erro, oriundo, como tantos outros, de superficial observação. Dentre os Espíritos que vêm espontaneamente, muito maior é, para nós, o número dos desconhecidos do que o dos ilustres, designando-se aqueles por um nome qualquer, muitas vezes por um nome alegórico ou característico.
Acham também singular que os Espíritos dos homens eminentes acudam familiarmente ao nosso chamado e se ocupem, às vezes, com coisas insignificantes, comparadas com as de que cogitavam durante a vida. Nada aí há de surpreendente para os que sabem que a autoridade, ou a consideração de que tais homens gozaram neste mundo nenhuma supremacia lhes dá no mundo espírita.
----- XII
Quando se manifesta o Espírito de alguém que conhecemos pessoalmente, de um parente ou de um amigo, por exemplo, mormente se há pouco tempo que morreu, sucede geralmente que sua linguagem se revela de perfeito acordo com o caráter que tinha aos nossos olhos, quando vivo. Já isso constitui indício de identidade. Quase não há mais lugar para dúvidas, entretanto, quando o Espírito fala de coisas particulares, lembra acontecimentos de família, sabidos unicamente do seu interlocutor.
Outra circunstância muito característica acode em apoio da identidade. Dissemos que a caligrafia do médium muda
Só os Espíritos que atingiram certo grau de purificação se acham libertos de toda influência corporal. Quando ainda não estão completamente desmaterializados (é a expressão de que usam) conservam a maior parte das ideias, dos pendores e até das manias que tinham na Terra, o que também constitui um meio de reconhecimento
Ora, se a identidade de um Espírito evocado pode, até certo ponto, ser estabelecida em alguns casos, razão não há para que não o seja em outros;
Inegavelmente a substituição dos Espíritos pode dar lugar a uma porção de equívocos, ocasionar erros e, amiúde, mistificações. Essa é uma das dificuldades do Espiritismo prático. Nunca, porém, dissemos que esta ciência fosse fácil, nem que se pudesse aprendê-la brincando, o que, aliás, não é possível, qualquer que seja a ciência. Jamais teremos repetido bastante que ela demanda estudo assíduo e por vezes muito prolongado. Não se podendo provocar os fatos, tem-se que esperar que eles se apresentem por si mesmos. Frequentemente ocorrem por efeito de circunstâncias em que se não pensa. Para o observador atento e paciente os fatos abundam, porque ele descobre milhares de matizes característicos que, para ele, são verdadeiros raios de luz. O mesmo se dá com as ciências comuns. Ao passo que o homem superficial não vê numa flor mais do que uma forma elegante, o sábio descobre nela tesouros para o pensamento.
----- XIII
As observações que aí ficam nos levam a dizer alguma coisa acerca de outra dificuldade, a da divergência que se nota na linguagem dos Espíritos... O ponto essencial, temo-lo dito, é sabermos a quem nos dirigimos.
Anos são precisos para formar-se um médico medíocre e três quartas partes da vida para chegar-se a ser um cientista. Como pretender-se em algumas horas adquirir a ciência do infinito?
A contradição, ademais, nem sempre é tão real quanto possa parecer. Não vemos todos os dias homens que professam a mesma ciência divergirem na definição que dão de uma coisa, quer empreguem termos diferentes, quer a encarem de pontos de vista diversos, embora seja sempre a mesma a ideia fundamental?
----- XIV
Para os Espíritos, principalmente para os Espíritos superiores, a ideia é tudo, a forma nada vale. Livres da matéria, a linguagem de que usam entre si é rápida como o pensamento, porquanto são os próprios pensamentos que se comunicam sem intermediário... Muito pouco à vontade hão de eles se sentirem, quando obrigados, para se comunicarem conosco, a utilizarem-se das formas longas e embaraçosas da linguagem humana e, sobretudo, a lutarem com a insuficiência e a imperfeição dessa linguagem, para exprimirem todas as ideias.
----- XVI
Há também pessoas que veem perigo por toda parte e em tudo o que não conhecem. Daí a pressa com que, do fato de haverem perdido a razão alguns dos que se entregaram a estes estudos, tiram conclusões desfavoráveis ao Espiritismo.
Todas as grandes preocupações do espírito podem ocasionar a loucura: as ciências, as artes e até a religião lhe fornecem contingentes. A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos acessível a certas impressões.
Digo, pois, que o Espiritismo não tem privilégio algum a esse respeito.
----- XVI
Segundo a primeira dessas teorias, todas as manifestações atribuídas aos Espíritos não seriam mais do que efeitos magnéticos.
Segundo outra opinião, o médium é a única fonte produtora de todas as manifestações; mas, em vez de extraí-las de si mesmo, como o pretendem os partidários da teoria sonambúlica, ele as toma ao meio ambiente.
Não seremos nós quem conteste o poder do sonambulismo, cujos prodígios observamos, estudando-lhe todas as fases durante mais de trinta e cinco anos. Concordamos em que, efetivamente, muitas manifestações espíritas são explicáveis por esse meio. Contudo, uma observação cuidadosa e prolongada mostra grande cópia de fatos em que a intervenção do médium, a não ser como instrumento passivo, é materialmente impossível.
Ainda uma vez, e este é o ponto capital sobre que nunca insistiremos bastante: a teoria sonambúlica e a que se poderia chamar refletiva foram imaginadas por alguns homens; são opiniões individuais, criadas para explicar um fato, ao passo que a doutrina dos Espíritos não é de concepção humana. Foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam, quando ninguém disso cogitava, quando até a opinião geral a repelia.
Também ainda há outra circunstância em que não se tem atentado muito. As primeiras manifestações, na França, como na América, não se verificaram por meio da escrita nem da palavra falada, e, sim, por pancadas concordantes com as letras do alfabeto e formando palavras e frases. Foi por esse meio que as inteligências autoras das manifestações se declararam Espíritos.
----- XVII
O ceticismo, no tocante à doutrina espírita, quando não resulta de uma oposição sistemática por interesse, origina-se quase sempre do conhecimento incompleto dos fatos, o que não obsta a que alguns deem a questão por encerrada, como se a conhecessem a fundo. Pode-se ser muito espirituoso, ter muita instrução mesmo, e carecer-se de bom-senso. Ora, o primeiro indício da falta de bom senso está em crer alguém infalível o seu juízo. Muita gente também há para quem as manifestações espíritas nada mais são do que objeto de curiosidade. Confiamos em que, lendo este livro, encontrarão nesses extraordinários fenômenos alguma coisa mais do que simples passatempo.
A ciência espírita compreende duas partes: experimental uma, relativa às manifestações em geral, filosófica, outra, relativa às manifestações inteligentes. Aquele que apenas haja observado a primeira se acha na posição de quem não conhecesse a física senão por experiências recreativas, sem haver penetrado no âmago da ciência.
A verdadeira doutrina espírita está no ensino que os Espíritos deram, e os conhecimentos que esse ensino comporta são por demais profundos e extensos para serem adquiridos de qualquer modo, que não por um estudo sério e perseverante, feito no silêncio e no recolhimento; porque só dentro desta condição se pode observar um número infinito de fatos e nuanças que passam despercebidos ao observador superficial, e que permitem firmar opinião.
O mérito que apresenta cabe todo aos Espíritos que a ditaram. Esperamos que dará outro resultado, o de guiar os homens que desejem esclarecer-se, mostrando-lhes, nestes estudos, um fim grande e sublime: o do progresso individual e social e o de lhes indicar o caminho que conduz a esse fim.
Concluamos fazendo uma última consideração. Alguns astrônomos, sondando o espaço, encontraram, na distribuição dos corpos celestes, lacunas não justificadas e em desacordo com as leis do conjunto. Suspeitaram que essas lacunas deviam estar preenchidas por globos que lhes tinham escapado à observação. De outro lado, observaram certos efeitos, cuja causa lhes era desconhecida e disseram: Deve haver ali um mundo, porquanto esta lacuna não pode existir e estes efeitos hão de ter uma causa. Julgando então da causa pelo efeito, conseguiram calcular-lhe os elementos e mais tarde os fatos lhes vieram confirmar as previsões. Apliquemos este raciocínio a outra ordem de ideias. Se se observa a série dos seres, descobre-se que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade, desde a matéria bruta até o homem mais inteligente. Porém, entre o homem e Deus, alfa e ômega de todas as coisas, que imensa lacuna! Será racional pensar-se que no homem terminam os anéis dessa cadeia e que ele transponha sem transição a distância que o separa do infinito? A razão nos diz que entre o homem e Deus outros elos necessariamente haverá, como disse aos astrônomos que, entre os mundos conhecidos, outros haveria, desconhecidos. Que filosofia já preencheu esta lacuna? O Espiritismo no-la mostra preenchida pelos seres de todas as ordens do mundo invisível e estes seres não são mais do que os Espíritos dos homens, nos diferentes graus que levam à perfeição. Tudo então se liga, tudo se encadeia, desde o alfa até o ômega. Vós, que negais a existência dos Espíritos, preenchei o vácuo que eles ocupam. E vós, que rides deles, ousai rir das obras de Deus e da sua onipotência!
