- Efetue login ou registre-se para postar comentários
SEGUNDA PARTE - CAP. IX
§ Possessos – q. 473 a 480
§ Convulsionários – q. 481 a 483
Convulsionários na Revista Espírita
Convulsionários de Saint-Médard
Revista Espírita de novembro e dezembro de 1859
https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/893/revista-espirita-jornal-de-estudos-psicologicos-1859/4596/novembro/os-convulsionarios-de-saint-medard
https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/893/revista-espirita-jornal-de-estudos-psicologicos-1859/4619/dezembro/os-convulsionarios-de-saint-medard
Os Aïssaouas – Ou os convulsionários da Rua Le Peletier
Revista espírita de Janeiro de 1868
https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/902/revista-espirita-jornal-de-estudos-psicologicos-1868/6203/janeiro/os-aissaoua-ou-os-convulsionarios-da-rua-le-peletier
HISTÓRIA DOS CALVINISTAS DE CÉVENNES
Revista espírita de 1869 - bibliografia
https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/903/revista-espirita-jornal-de-estudos-psicologicos-1869/6416/fevereiro/bibliografia
Possessos - Resumo de IA com ChatGPT 5
Resumo das perguntas 473 a 480 – O Livro dos Espíritos, Allan Kardec (tema: possessão e obsessão)
Essas questões tratam da influência que os Espíritos podem exercer sobre os encarnados e da natureza da chamada “possessão”.
Não há possessão literal (questão 473): Um Espírito não pode “entrar” no corpo de outro, substituindo o encarnado. Pode, porém, identificar-se com ele, influenciando seus pensamentos e ações, mas o domínio sobre o corpo permanece com o Espírito encarnado.
A verdadeira possessão é moral (questão 474): Embora não exista coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo, pode ocorrer a subjugação ou obsessão, em que o Espírito obsessor domina e perturba o encarnado, limitando sua vontade. Essa influência, porém, só se mantém com o consentimento moral da pessoa, consciente ou inconsciente.
Libertação dos maus Espíritos (questão 475): Qualquer um pode libertar-se desse jugo, desde que tenha firme vontade e desejo sincero de se melhorar.
Ajuda de terceiros (questão 476): Uma pessoa de bem, com pureza de intenções e moral elevada, pode auxiliar o obsidiado, pedindo o auxílio dos bons Espíritos. Contudo, a libertação só ocorre se o subjugado quiser colaborar. Sem pureza de coração, a ajuda é ineficaz.
Exorcismos e rituais (questão 477): Fórmulas e exorcismos não têm poder real sobre os maus Espíritos; estes zombam de tais práticas.
Como livrar-se da obsessão (questão 478): O melhor meio é ignorar as sugestões más, mantendo serenidade e retidão. Quando percebem que não conseguem dominar, os Espíritos inferiores afastam-se.
A eficácia da prece (questão 479): A prece sincera é um recurso poderoso, mas deve vir acompanhada de esforço moral do próprio indivíduo para corrigir as falhas que atraem os maus Espíritos.
Expulsão dos “demônios” no Evangelho (questão 480): A expressão “expulsar demônios” deve ser entendida simbolicamente. Trata-se de afastar a influência de Espíritos inferiores ou curar enfermidades ligadas a essa influência. O sentido depende da interpretação dada às palavras.
Síntese geral:
O Espiritismo nega a possessão no sentido teológico (entrada de um demônio no corpo), explicando o fenômeno como obsessão espiritual, isto é, influência moral e mental de Espíritos inferiores sobre os encarnados. A defesa e a libertação vêm do aprimoramento moral, da vontade firme, da prece sincera e da prática do bem, nunca de rituais ou fórmulas materiais.
Convulsionários - Resumo de IA com ChatGPT 5
Resumo das perguntas 481 a 483 – O Livro dos Espíritos, Allan Kardec (tema: convulsionários)
Essas questões tratam dos fenômenos físicos e psíquicos observados entre os chamados convulsionários, pessoas que apresentavam ataques, insensibilidade à dor e atitudes anormais, muitas vezes ligadas a manifestações espirituais ou magnéticas.
Questão 481
Os Espíritos têm papel importante nesses fenômenos, que estão também ligados ao magnetismo — a força vital ou fluido capaz de gerar efeitos físicos e influências mentais.
Entretanto, Kardec ressalta que muitos casos foram explorados pelo charlatanismo, o que desacreditou observações legítimas.
Os Espíritos que participam desses fenômenos, em geral, não são elevados, pois Espíritos superiores não se comprazem com manifestações desordenadas.
Questão 482
A propagação dos estados convulsionários entre grupos ou populações ocorre por efeito de simpatia e de contágio moral.
As emoções, o entusiasmo coletivo e o magnetismo humano favorecem essa extensão.
Nesse processo, há também Espíritos afins que se unem aos participantes, reforçando o fenômeno, motivados pela semelhança vibratória.
Esses estados podem ser comparados a uma forma de sonambulismo desperto, em que as pessoas atuam ao mesmo tempo como magnetizadores e magnetizados, influenciando-se mutuamente sem perceber.
Questão 483
A insensibilidade física observada em convulsionários e em pessoas em êxtase ou sob tortura pode ter causas diferentes:
Em alguns, decorre do magnetismo, atuando sobre o sistema nervoso, como uma espécie de anestesia natural;
Em outros, resulta da exaltação mental ou espiritual, que desvia a atenção e a energia do corpo, tornando-o menos sensível à dor.
Kardec compara isso a situações em que o Espírito, totalmente concentrado em uma ideia ou emoção intensa, torna-se alheio às sensações físicas — como acontece com combatentes ou fanáticos religiosos em momentos extremos.
Quando uma autoridade conseguia fazer cessar esses fenômenos, não era por eliminar a ação dos Espíritos, mas por interromper as causas externas e sociais que alimentavam o estado de excitação coletiva.
A ação dos Espíritos, nesses casos, era secundária, apenas aproveitando-se da predisposição do grupo.
Síntese geral
Os fenômenos dos convulsionários resultam da combinação entre forças magnéticas humanas e influência espiritual inferior, frequentemente estimuladas por estados emocionais e crenças exaltadas.
A falta de discernimento, o fanatismo e o entusiasmo coletivo favorecem tais manifestações, que não vêm de Espíritos superiores, mas de entidades ainda imperfeitas.
A calma moral, a razão e a compreensão das leis magnéticas e espirituais são os melhores meios de preveni-las e compreendê-las sem superstição.
Relação entre os Convulsionários e o Jansenismo (ChatGPT 5)
O movimento dos convulsionários de Saint‑Médard surgiu diretamente ligado ao jansenismo, no início do século XVIII, na França. A seguir, é apresentada uma explicação histórica e teológica dessa conexão.
1. O contexto: o Jansenismo
O jansenismo foi um movimento teológico e espiritual iniciado a partir das ideias do bispo Cornelius Jansen (1585‑1638), autor da obra Augustinus. Esse movimento enfatizava:
- A dependência total da graça divina para a salvação;
- A predestinação e a limitação do livre-arbítrio humano;
- Uma vida cristã rigorosa e austera;
- A crítica à autoridade papal e à frouxidão moral da Igreja e da monarquia.
O centro intelectual do movimento foi a Abadia de Port‑Royal, cuja comunidade foi perseguida pela Igreja e pelo Estado francês.
2. A origem dos Convulsionários
Após a morte do diácono François de Pâris (1727), notável devoto jansenista, começaram a ocorrer supostos milagres e curas em seu túmulo no cemitério de Saint‑Médard, em Paris. A partir de 1731:
- Reuniões de oração e êxtase se tornaram frequentes junto ao túmulo;
- Os presentes manifestavam contrações, quedas, gritos e insensibilidade à dor — as chamadas “convulsões”;
- Os participantes passaram a ser conhecidos como convulsionários.
Os jansenistas viam nessas manifestações uma sinalização da graça divina e um testemunho contra as perseguições eclesiásticas e civis.
3. Relação teológica e política
O vínculo entre jansenismo e convulsionários aparece em três dimensões principais:
| Aspecto | Jansenismo | Convulsionários |
|---|---|---|
| Doutrina | Ênfase na graça, predestinação e penitência. | Convulsões interpretadas como manifestações da graça ou purificação espiritual. |
| Contexto social | Movimento intelectual e teológico perseguido pelo poder civil e religioso. | Expressão popular e mística de resistência à repressão eclesiástica. |
| Expressão religiosa | Espiritualidade interior e de oração. | Espiritualidade corporal e extática, marcada por êxtase e dor física. |
Os convulsionários foram, portanto, uma tradução popular e física do mesmo impulso religioso de protesto e busca de pureza espiritual dos jansenistas.
4. O desfecho histórico
Em 1732, o governo francês mandou fechar o cemitério de Saint‑Médard, proibindo as reuniões. Apesar disso, os grupos convulsionários continuaram por décadas na clandestinidade, mantendo devoção jansenista e práticas de êxtase religioso.
No fim do século XVIII, o movimento se fragmentou, sendo posteriormente estudado por teólogos, médicos e filósofos como exemplo de fenômeno coletivo religioso. No século XIX, foi também reinterpretado por estudiosos espíritas, inclusive por Allan Kardec, nas questões 481‑483 de O Livro dos Espíritos.
💡 Síntese
O movimento dos convulsionários foi uma manifestação direta do jansenismo, traduzindo suas tensões doutrinárias e políticas em manifestações corporais de êxtase e sofrimento. Sem o jansenismo, o fenômeno dos convulsionários não teria existido — ele é um dos seus desdobramentos mais expressivos, misto de misticismo, resistência e fervor religioso popular.
📚 Referências bibliográficas
Monique Cottret. Jansenisme et Lumières: pour un autre XVIIIe siècle. Paris: Albin Michel, 1998.
Dale K. Van Kley. The Religious Origins of the French Revolution: From Calvin to the Civil Constitution. Yale University Press, 1996.
Ann Taves. Fits, Trances, and Visions: Experiencing Religion and Explaining Experience from Wesley to James. Princeton University Press, 1999.
