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SEGUNDA PARTE - CAP.II Da Encarnação dos Espíritos
§ Objetivo da Encarnação – q. 132 a 133-a
§ A Alma – q. 134 a 146-a
§ Materialismo – q. 147 e 148
Um breve resumo
Objetivo da Encarnação – q. 132 a 133-a
A encarnação é imposta a todos os princípios inteligentes, que foram criados simples e ignorantes. A Lei Natural oferece a reencarnação como caminho para atingirmos a consciência espiritual máxima, a perfeição, o que se dá através de nossa interação com a matéria.
Agimos conscientemente sobre a matéria, colaborando com o desenvolvimento do mundo das formas e das consciências espirituais (missões), ou sofrendo as leis de causa e efeito para compreendermos sobre Deus, sobre o universo e sobre nós mesmos, enquanto desenvolvemos competências espirituais e colaboramos com o funcionamento do mundo das formas (provas e expiações)
A duração destes estágios encarnatórios depende da facilidade com que o espíritos, usando o livre-arbítrio, adere à proposição de espiritualização ofertada pela Lei Natural.
A Alma – q. 134 a 146-a
Os espíritos revestem-se de um corpo material através do fenômeno da encarnação, quando se caracterizam como alma. Esta união é possível devido ao perispírito, corpo semimaterial que realiza a conexão nos dois sentidos entre o espírito e o corpo físico.
O corpo, vitalizado pelo fluido vital, cria condições para a manifestação da alma, mas esta, tem sua existência independente daquele. O corpo sem alma está destinado á morte e é incapaz de expressar inteligência, mas a alma sobrevive à separação.
Quando da encarnação, há uma conexão dedicada entre o corpo e a alma, que fica impedida de conectar-se através da reencarnação a outros corpos. É preciso desencarnar, liberar um corpo, para reencarnar, ocupar outro corpo.
"O vocábulo alma se emprega para exprimir coisas muito diferentes. Uns chamam alma ao princípio da vida e, nessa acepção, se pode com acerto dizer, figuradamente, que a alma é uma centelha anímica emanada do grande Todo. Estas últimas palavras indicam a fonte universal do princípio vital de que cada ser absorve uma porção e que, após a morte, volta à massa donde saiu. Essa ideia de nenhum modo exclui a de um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade. A esse ser, igualmente, se dá o nome de alma e nesta acepção é que se pode dizer que a alma é um Espírito encarnado. Dando da alma definições diferentes, os Espíritos falaram de acordo com o modo por que aplicavam a palavra e com as ideias terrenas de que ainda estavam mais ou menos imbuídos. Isto resulta da deficiência da linguagem humana, que não dispõe de uma palavra para cada ideia, donde uma imensidade de equívocos e discussões. Eis por que os Espíritos superiores nos dizem que primeiro nos entendamos acerca das palavras (Ver, na Introdução, a explicação sobre o termo alma, § II.)" - questão 139
"140. Que se deve pensar da teoria da alma subdividida em tantas partes quantos são os músculos e presidindo assim a cada uma das funções do corpo?"
“Ainda isto depende do sentido que se empreste à palavra alma. Se se entende por alma o fluido vital, essa teoria tem razão de ser; se se entende por alma o Espírito encarnado, é errônea. Já dissemos que o Espírito é indivisível. Ele imprime movimento aos órgãos, servindo-se do fluido intermediário, sem que para isso se divida.” - questão 140
"A alma não se acha encerrada no corpo, qual pássaro numa gaiola. Irradia e se manifesta exteriormente, como a luz através de um globo de vidro, ou como o som em torno de um centro de sonoridade. Neste sentido se pode dizer que ela é exterior, sem que por isso constitua o envoltório do corpo. A alma tem dois envoltórios. Um, sutil e leve: é o primeiro, ao qual chamas perispírito; outro, grosseiro, material e pesado, o corpo. A alma é o centro de todos esses envoltórios, como o gérmen em um caroço, já o temos dito.” - questão 141
Hoje através do conceito de campo, pode-se pensar de maneira mais geral. O espírito, em uma dimensão, cria um campo que organiza o perispírito e este, por sua vez, cria um campo que organiza o corpo físico. O espírito não estaria dentro do perispírito, mas presidindo na dimensão seminaterial a formação do perispírito que, de forma análoga, presidiria na matéria a formação do corpo.
"Por alma da Terra se deve entender o conjunto dos Espíritos abnegados, que dirigem para o bem as vossas ações, quando os escutais, e que, de certo modo, são os lugar-tenentes de Deus com relação ao vosso planeta.” - questão 144
A conexão do espírito com o corpo está distribuída por todo o corpo. entretanto, percebe-se concentrações de atenção espiritual sobre determinadas áreas do corpo, ligadas ao fazer do espírito. Pode-se dizer entretanto: "que a sede da alma se encontra especialmente nos órgãos que servem para as manifestações intelectuais e morais." (- questão 146)
Percebemos que há um processo de amadurecimento de conhecimentos e de habilidades espirituais. Tudo se estabelece de forma gradativa, inclusive os conceitos ligados ao processo de reencarnação. Os espíritos forjam-se sábios à medida que vivenciam suas experiências de aprendizagem, na erraticidade ou no mundo material.
Materialismo – q. 147 e 148
“O fisiologista refere tudo ao que vê. Orgulho dos homens, que julgam saber tudo e não admitem haja coisa alguma que lhes esteja acima do entendimento. A própria ciência que cultivam os enche de presunção. Pensam que a natureza nada lhes pode conservar oculto.” - questão 147
“Não é exato que o materialismo seja uma consequência desses estudos. O homem é que deles tira uma consequência falsa, pela razão de lhe ser dado abusar de tudo, mesmo das melhores coisas. Acresce que o nada os amedronta mais do que eles quereriam que parecesse, e os espíritos fortes, quase sempre, são antes fanfarrões do que bravos. Na sua maioria, só são materialistas porque não têm com que encher o vazio do abismo que diante deles se abre. Mostrai-lhes uma âncora de salvação e a ela se agarrarão pressurosamente.” - questão 148
"O homem tem, instintivamente, a convicção de que nem tudo se lhe acaba com a vida. O nada lhe infunde horror. É em vão que se obstina contra a ideia da vida futura. Ao soar o momento supremo, poucos são os que não inquirem do que vai ser deles, porque a ideia de deixar a vida para sempre algo oferece de pungente." - questão 148
"A religião ensina que não pode ser assim e a razão no-lo confirma. Mas uma existência futura vaga e indefinida não apresenta o que satisfaça ao nosso desejo do positivo. " - questão 148
" A religião ainda nos ensina que seremos felizes ou desgraçados, conforme ao bem ou ao mal que houvermos feito." - questão 148
"a missão do Espiritismo consiste precisamente em nos esclarecer acerca desse futuro, em fazer com que, até certo ponto, o toquemos com o dedo e o penetremos com o olhar, não mais pelo raciocínio somente, porém, pelos fatos." - questão 148
"Haverá nisso alguma coisa de antirreligioso? Muito ao contrário, porquanto os incrédulos encontram aí a fé e os tíbios a renovação do fervor e da confiança. O Espiritismo é, pois, o mais potente auxiliar da religião. Se ele aí está, é porque Deus o permite e o permite para que as nossas vacilantes esperanças se revigorem e para que sejamos reconduzidos à senda do bem pela perspectiva do futuro." - questão 148
